A paz mora em Bali

Dreamland Beach BaliA paz mora em Bali. Essa frase resume bem o que essa viagem representou pra mim. Aqui encontrei a minha paz. A vida toda sonhei um dia pisar nessa ilha. Precisei ficar com dor de cotovelo e sofrer de amores pra tomar coragem de me aventurar a vir sozinha pra esse paraíso. Depois de 4 dias intensos em Bangkok, aterrissei em Bali no dia 30 de dezembro, sem conhecer ninguém e sem nenhuma festa armada pra virada do ano. Eu estava leve. Não senti necessidade de ter nada certo além da hospedagem garantida para os três próximos dias. Pela primeira vez fiz uma viagem sem pensar em todos os detalhes. Escolhi viver um dia de cada vez nessa ilha e ir pra onde meu coração me levasse. E assim foi…

Do aeroporto de Denpasar, já em Bali, uma van me aguardava para me levar de cortesia para o hostel Happy Day, em Seminyak. Na ilha há pouquíssimos hostels, apesar da hospedagem não ser tão cara em hotéis convencionais. E no meu caso eu queria ficar em um hostel para facilitar o contato com outros viajantes e fazer novas amizades. Além disso, a diária aqui foi em torno de R$25 com café da manhã. Uma pechincha! Hostel todo limpinho, bonito, banheiros e quartos bons. Perfeito pra mim.

Cheguei em Bali anoitecendo e nas imediações do hostel não tinha tanta movimentação, por isso não quis sair sozinha sem conhecer nada, nem ninguém. Comi ali do ladinho mesmo e aproveitei a chuva que caiu pra descansar. No dia seguinte, 31 de dezembro, véspera de feriado, conheci a Fernanda e o João, brasileiros, meus companheiros de quarto, no café da manhã. Eles iam dar uma volta pela cidade e à noite iriam à praia molhar os pés e pular as sete ondinhas. Deixei o convite em aberto. O sol lá fora estava implorando pra que eu circulasse e conhecesse um pouco a cidade. Irresistível!

Fui direto pra Legian, a rua mais badalada de Bali, e logo aluguei uma scooter, dessas que você só precisa acelerar e frear. E acredite, mesmo sem eu nunca ter pilotado uma moto! Acontece que em Bali o transporte público não funciona, tudo é muito bagunçado e confuso. Tomei coragem e com o corpo inteiro tremendo de medo de levar um tombo, sai de scooter por Kuta.

Que experiência! Dentro do capacete eu ria sozinha de mim mesma, barbeirando, pernas tremendo e aquele trânsito caótico me deixando maluca. E o primeiro pit stop foi na praia de Legian.

Kuta Beach Bali
Legian Beach

Esquisito demais pra mim, rs. Muitos turistas indianos tomando banho de roupa, mulheres com burcas molhando as pernas no mar, uma loucura. Impossível ficar ali só de biquíni com tanta gente tampada ao redor. Dei meia volta e segui pra próxima praia acelerando.

Kuta Beach BaliNesse ponto a praia estava ficando um pouco melhor. Menos pessoas com tanta roupa, pranchas pra quem quisesse alugar e aprender a surfar… O clima estava melhorando, mas ainda não era o que eu esperava. E com a scooter, segui pra próxima praia, quase chegando em Seminyak novamente. Aí sim! O astral começou a falar a minha língua.

Comecei a ver turistas mais comuns, homens de bermudas e mulheres de biquínis. Só assim tive coragem de estender a minha canga super brasileira do Senhor do Bonfim. Tirei a roupa e finalmente dei um mergulho no mar. Sabe aquele mergulho de lavar a alma? Foi desses! E ao voltar pra minha canga estendida, de repente ouço ao longe alguém gritando: “Brasileira!?”. A minha canga era muito óbvia pra disfarçar a minha origem, rs. E foi aí que conheci o Rafael, brasileiro morando há anos na Austrália, o Jorge, português, o Mustafa, londrino e o Dale, sul-africano. Todos ali passando férias e tomando um drink na beira da praia. Nada mal, né! ?

Seminyak Beach BaliSeminyak Beach BaliNessa altura do campeonato, depois de rodar várias praias, a fome bateu com tudo. Ali mesmo pedimos uma pizza e o papo foi rendendo ao ponto de ser convidada pra festa de réveillon no Hotel W. Diga-se de passagem, um resort de altíssimo nível da região, e pasme, de graça. Dava pra negar? E no clima de euforia, todos combinamos um esquenta no hotel junto com outros novos amigos. Dessa vez uniram-se a nós uma turma do Timor Leste, uma russa loira lindíssima, alguns balineses, enfim. A festa multiplicou e o réveillon no Hotel W bombou. Tudo rolou à beira de uma infinidade de piscinas, a cada ambiente um dj diferente arrasando no som e a energia mais vibrante que já vi. A contagem regressiva pra virada do ano foi emocionante e muitos fogos de artifício iluminaram o mar. Foi perfeito!

Hotel W Seminyak BaliPra quem caiu de paraquedas em Bali, o reveillon foi surpreendente, ao contrário do dia seguinte que amanheceu com uma chuva torrencial. Nada de por os pés na rua. Bali tem dessas. Quando chove, fica impossível circular pela cidade, as ruas inundam e a festa dos turistas acaba. Mas como o universo conspira sempre a favor de quem acredita e manda energia positiva… Essa foi uma ótima oportunidade de estreitar a amizade com a Fernanda e o João, meus companheiros de quarto do hostel. Ficamos o dia todo batendo papo, vendo filme e combinando o dia seguinte junto com duas americanas que já eram amigas deles.

E como era chuva de verão, o terceiro dia amanheceu brilhando. Como planejado, nós cinco alugamos uma van exclusiva e fomos fazer um tour pro lado de Uluwatu, lá na ponta da ilha de Bali. O bom disso é que o motorista ficou por nossa conta e fomos escolhendo onde parar. Começamos por Dreamland Beach, uma praia bem pequena, mas com barzinhos que dão suporte aos turistas. Porém, o mais bacana é que a Fernanda tinha uma carta na manga, o restaurante El Kabron. Segundo ela, o restaurante é espanhol, mas imperdível e super bem recomendado, coladinho em Dreamland.

O resultado? Tomamos vinho em uma piscina de borda infinita, admirando o horizonte, morrendo de rir das piadas da Fernanda. Ainda almoçamos a melhor lula do universo intergalático.

Dreamland Beach Bali
Dreamland Beach
El Kabron, Dreamland Beach, Bali
Restaurante El Kabron
El Kabron, Dreamland Beach, Bali
Piscina do restaurante El Kabron

El Kabron, Dreamland Beach, BaliEl Kabron, Dreamland Beach, BaliSaindo do El Kabron em Dreamland, eu ainda não estava acostumada, mas logo entendi que nós ocidentais somos “exóticos” para os nativos. Uma família da Ilha de Java, fofa, pediu pra tirar foto comigo. Bizarro, né!? rs.

Dreamland Beach, Bali

Nós cinco: o João, a Kellianne, a Megan, a Fernanda e eu
Nós cinco: o João, a Kellianne, a Megan, a Fernanda e eu em Dreamland Beach

Próxima parada: o Templo de Uluwatu!

Esse templo fica dentro de uma área de reserva, é enorme, lindo e fica bem na beira da famosa parede de falésias de Uluwatu, pico e sonho de todo surfista.

Uluwatu, Bali
Pegamos uma van dentro da área do Templo…

Templo de Uluwatu, BaliUluwatu, BaliEu já esperava ver o pôr-do-sol aqui, no canto mais isolado da ilha de Bali. Só não contava com uma apresentação de dança típica balinesa que me impressionaria tanto. Um ritual riquíssimo, onde uma encenação é feita ao redor de tochas de fogo. Eles contam a história de uma balinesa prometida para casar, porém monstros aparecem e assombram sua vida. No final ela é libertada para ser feliz com seu amor. E quem não deseja um final feliz num lugar desses?

Dança, Uluwatu, BaliDança, Uluwatu, BaliDança, Uluwatu, BaliDança, Uluwatu, BaliNo dia seguinte, as americanas tinham o voo de volta marcado, mas eu, a Fernanda e o João ainda queríamos conhecer o Templo de Tanah Lot. Esse templo fica ilhado quando a maré sobe. É de tirar o fôlego!

Templo Tanah Lot, BaliTemplo Tanah Lot, BaliTemplo Tanah Lot, BaliTemplo Tanah Lot, BaliTemplo Tanah Lot, BaliTemplo Tanah Lot, BaliTemplo Tanah Lot, BaliEu vim a Bali em busca de paz e de me conhecer melhor, mas toda a movimentação de Kuta não permitiu isso. Em Kuta tudo acontece, tem toda a agitação noturna, muita balada pra quem gosta, muitas lojas e restaurantes disputadíssimos. Mas no quarto dia eu já não queria mais estar ali. Eu queria sossego. Foi quando decidi procurar um bangalô em Ubud todinho só pra mim. Nada de quarto compartilhado, nada de agitação.

Ubud
Meu bangalô em Ubud

UbudUbud, uma vila no interior da ilha de Bali, é o oposto do caos de Kuta. Aqui a serenidade impera. Nas lojinhas tocam mantras, nas ruas calmamente o povo circula. Por todos os lados vemos templos e oferendas são diariamente postas nas portas dos comércios e das casas. É aqui que está raiz e a essência de Bali. Tirei um tempo pra pensar, pra vagar sem rumo pela Floresta dos Macacos. Conheci vários templos da região, um dos milhares de vulcões ativos da região e os famosos terraços de arroz. Em uma fazenda de plantação de chás e degustei vários deles, típicos de lá. Enfim, quando você tem tempo pra refletir, tudo volta ao seu devido lugar.

UbudUbudUbudUbudUbudBali Tea, UbudUbudUbudUbudTerraço de arroz, UbudFloresta dos Macacos, Ubud, BaliFloresta dos Macacos, Ubud, BaliPra quem gosta de fazer comprinhas, Ubud é o lugar. É tudo tão barato que fica até difícil resistir. Pras mulheres, muitos vestidos e roupas de seda pura, muitos lenços e echarpes. Prata vendida a preço de banana! E para os homens, roupa de surf de altíssima qualidade.

Depois de reencontrar o meu eixo em Ubud, decidi que era hora de curtir os meus quatro últimos dias nessa ilha nas melhores praias. E a próxima base foi Uluwatu. Aluguei um bangalô maravilhoso no pico do surf, no Uluwatu Cottages Pecatu, pagando R$70/diária. O auge da minha extravagância.

Uluwatu Cottages, Uluwatu, BaliUluwatu Cottages, BaliUluwatu, BaliUluwatu, BaliNovamente aluguei uma scooter pra conseguir rodar várias praias. Nesse pedaço da ilha tudo é muito distante, como eu disse antes, não tem transporte público e a ligação entre as praias são estradas no meio do nada. Não rola andar a pé. Além do mais, alugar uma scooter aqui custa U$5/dia, super econômico e te dá autonomia pra ir e vir quando quiser. Aproveitei e descobri várias praias longe dos points turísticos, algumas desertas, totalmente inexploradas e verdadeiros paraísos.

Padang Padang, BaliUluwatu é uma área muito voltada para o surf, incluindo a vida noturna, que é praticamente nula. Os surfistas ficam o dia todo na água e a noite, esgotados só querem descansar, comer e dormir. De dia, quem não é do surf e está por ali costuma curtir o The Edge, um bar no alto do cliff no pico das ondas. Lá de cima a galera fica assistindo os surfistas se arriscarem entre as ondas e os corais. Nos domingos à noite ou em datas especiais, o Single Fin faz a galera vibrar ao som de um reggae muito bom ou de alguma banda que estiver na região. Nessa última semana de julho/ 2015 quem estava por lá pegando onda e aproveitou pra dar uma palinha foi o Donavon Frankenreiter. Imagina a sorte de quem estava lá…

The Edge, Uluwatu, BaliThe Edge, Uluwatu, Bali

She rocks baby!
She rocks baby!
Single Fin, Uluwatu, Bali
Single Fin

Single Fin, Uluwatu, BaliSingle Fin, Uluwatu, BaliAlgumas vezes é preciso que a gente se afaste do meio pra voltar a ser quem somos. Essa viagem trouxe à tona o melhor de mim. Bali foi uma realização pessoal e um desafio muito grande, longe da família, dos amigos e do conforto, me vi mais forte e determinada. Sozinha, fui obrigada a tomar decisões por mim mesma, porém mais do que isso. Essa viagem foi sobre aprender a viver bem comigo mesma, independente de quem ou o que estivesse me cercando. Foi necessário que eu fosse parar do outro lado do mundo pra sentir que eu tinha que me bastar, sem depender emocionalmente de outra pessoa pra ser feliz. E isso, posso garantir que não tem preço e mudou completamente o rumo da minha vida.

Sendo muito honesta, tive medos e incertezas antes de ir, eu só não deixei que eles me dominassem. Fiz a mochila e fui assim mesmo. E absolutamente nada nem ninguém no mundo poderia fazer por mim o que só eu poderia ter feito. Nem sempre não ver a luz no fim do túnel significa que ela não existe. Serei eternamente grata ao universo por ter me dado força pra enfrentar meus próprios fantasmas. Voltei renovada e confiante pra seguir em frente. Quando estamos felizes, fazemos todos a nossa volta sorrirem.

E acredite, uma viagem pode sim, mudar a sua vida!

Namastê

10 comentários sobre “A paz mora em Bali

  1. Sempre sonhei em conhecer o Sul da Asia, principalmente a Tailândia, já ate me arrisquei a comprar uma passagem e de ultima hora desisti; Hoje minha vida esta estável e longe de problemas, mas quem não precisa se encontrar e se descobrir todo dia? Parabéns pela sua coragem, me faz ver que tudo é possível, apenas temos que querer. As vezes precisamos de um impulso para tomar coragem (como o termino do seu relacionamento) mas existe males, que vem para o bem.

    Namaste.

    1. Ei Dani! É por aí mesmo. Não importa qual seja sua motivação, se é teu sonho, você tem que seguir. Eu incentivo muito as pessoas a enfrentarem seus medos, mas cada um tem seu tempo. E quando tomamos coragem de seguir nosso sonho, mesmo que com medo, voltamos pessoas melhores. Espero que você se anime de conhecer a Tailândia e realizar teu sonho. E se precisar de um roteiro personalizado, faço também. ;) beijos e namastê!

  2. Juliana, obrigada pelas palavras!!!
    Estava tudo certo para eu ir para a Europa em minha primeira viagem sozinha, aconteceu, porém, que a Europa iria extrapolar muito meu orçamento de uma viagem mais longa. Assim, eis que surge a Tailândia e a Indonésia, de novo, em meus planos. A Ásia sempre foi um lugar que de longe eu diria que é onde mais queria conhecer no mundo, só que não vou negar, a ansiedade e o medo estão me consumindo nesses dias pré viagem. Me dê alguma luz!!!!!!! Haha Me sinto insegura, com o coração a mil, quase não me reconhecendo…
    Com sua estadia sozinha, você se sentiu segura na ilha?

    1. Ei Isadora! Que bom que você não desistiu da sua viagem sozinha, seja pra onde for. Esse tipo de viagem normalmente muda nosso jeito de ver o mundo, pra melhor, eu acredito.
      Olha, não fique com medo não. Tudo que é desconhecido pra gente, gera insegurança. Tudo que é novidade, dá calafrios. E essa é uma das maiores delícias de viajar. Então transforme esse medo em energia boa. Eu não tive nenhum problema durante a minha viagem pela Tailandia e Indonesia, pelo contrario. Deu tudo certo até demais. Foi perfeito. O meu segredo é não pensar no que pode dar errado. Na verdade tanta coisa pode deixar a gente paranoica, que não vale nem a pena gastar um pensamento, estragaria a sua viagem. Pense em tudo de bom que te aguarda. Os templos são tão lindos, as pessoas sorridentes e simpáticas, muitos outros estrangeiros pra fazer amizade, comidas exóticas e deliciosas, enfim. Tanta coisa legal e diferente te aguarda, que é nisso que você deve focar. Encha a sua mente de pensamentos bons e tudo vai dar certo.
      E me escreve depois contando como foi a sua experiência.
      Vou adorar saber! Um beijo e boa viagem! Juliana

  3. Oi Juliana, td bem?

    Estou planejando um período sabático para o início do ano que vem..

    Quantos dias levou essa sua viagem para Bankok + Bali?

    Vc foi por qual companhia aérea e qual foi o percurso?

    Em qual hotel vc ficou em Ubud?

    Obrigada!!!

  4. Oi Juliana, adorei a sua viagem a Bali, estou a pensar um fazer uma viagem no final a Bali.

    Depois vou precisar de umas dicas suas.

    beijinho tudo de bom

  5. Oi Juliana!
    Estou em uma situação semelhante a sua, fim de relacionamento longo… sem rumo. Querendo viajar… descansar a mente e o coração.
    Quero ir para o sudeste asiático, passar um tempo… um mês… talvez um pouco mais. Dei um google e te encontrei :).
    Se puder me dar umas dicas.
    Obrigada e um beijo.

    1. Ei Nathalie! O sudeste asiático é encantador. Uma cultura completamente diferente da nossa e que me deixou querendo voltar.
      Comece escolhendo os destinos em função da época do ano que você pretende ir. O período de monções pode causar muito transtorno e te obrigar a ficar no hotel por dias seguidos, então comece por aqui, fugindo da temporada de chuva. Pra ir sozinha, basta você falar um pouco de inglês. No mais, é fazer a mala e partir. E indo sozinha tb recomendo mochilão ao invés de mala, fica mais fácil de carregar. Qdo vc definir o destino me fala, quem sabe não consigo te ajudar mais? Viajar sozinha foi a melhor coisa que eu poderia ter feito por mim mesma. Vai na fé! bjs :)

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