Delhi

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Mesquita Masjid

Despretensiosamente a yoga me levou à Índia. Há alguns anos comecei a praticar, fui me envolvendo no clima de paz que essa prática me proporcionava e aos poucos fui percebendo que queria sentir mais dessa energia tão forte. Eu era uma pessoa extremamente ansiosa, ainda sou um pouco, mas com o tempo a minha consciência corporal foi surgindo e comecei a me tornar uma pessoa mais leve e otimista. A minha visão de mundo foi mudando e foi então que ir à Índia me pareceu inevitável. Eu precisava beber direto da água da fonte e assim foi.

Do Brasil, descobri uma agência indiana, a Gets Holidays, que me deu todo suporte para montar essa viagem. Eu e o João, que me influenciou muito nessa busca interior, escolhemos juntos as cidades que gostaríamos de visitar, o padrão dos hotéis e a forma de deslocamento. A agência com maestria acertou tudo e assim que descemos em Delhi fomos recebidos por um guia bilíngue que nos levou direto para o hotel.

Com o resto do dia livre, aproveitamos para caminhar sozinhos por Connaught Place, uma área grande de comércio, lojas e restaurantes. Era inverno, nada tão rigoroso, mas suficientemente frio para vestirmos um casaco, ainda assim, chamávamos muita atenção. Talvez eu por ser loira e o João por ter traços indianos. Fomos alvo de muitos olhares curiosos, alguns mais ousados puxavam papo, perguntavam de onde éramos e queriam saber mais da gente. Eu demorei um tempo pra me acostumar. Me assustei um pouco, mas fomos muito turistas e isso estava escrito na nossa cara. Não sei dizer, na verdade, quem estava mais curioso, nós ou eles.

Passada essa primeira impressão frenética, fomos guiados até a Velha Delhi para conhecer a Mesquita Masjid e o Red Forte. A Índia respira história, sofreu com muitas guerras e disputas territoriais. A beleza dos monumentos mostra o quanto esse país já foi rico. Os palácios dos Maharajas exibem detalhes esculpidos com pedras preciosas ou pedras ornamentais que me deixaram boquiaberta. O indiano é um artista nato. Ora sabem esculpir, ora sabem pintar, ora sabem tecer… Sobretudo, são de uma sabedoria ancestral.

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Mesquita Masjid

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Red Forte
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Red Forte

Andar de rickshaw pela Velha Delhi é literalmente uma aventura. São ruelas muito estreitas onde os comércios funcionam em mini lojas ou nos cantinhos das ruas onde feirantes montam no chão suas mercadorias, e nesse mesmo espaço passam tuk tuks, rickshaws, bicicletas, vacas e pessoas. A fiação elétrica é uma loucura. Um turbilhão de fios embolados, pendurados entre postes precários. É tanta informação ao mesmo tempo que não dá pra piscar os olhos.

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Rickshaw

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Depois de passar um dia na Velha Delhi, fomos conhecer a área mais moderna da cidade, a Nova Delhi, marcada pelo Portão da Índia. Nessa área estão concentradas imponentes edificações do governo. A Índia só conquistou sua independência agora muito recente, em 1947. Até então era governada pelos ingleses. Segundo o nosso guia, algumas pedras preciosas que estão na coroa da rainha da Inglaterra pertenciam à Índia. O que de fato pode ser verdade já que esse país sofreu tanto com invasões e incontáveis saques. Os palácios sofreram muitas avarias e as marcas estão aqui até hoje. Nas paredes restam apenas as incrustações das pedras com vestígios de suas cores originais. Em tempos de guerra, vale tudo, infelizmente.

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Portão da Índia

Em Nova Delhi conheci a Casa de Adoração Bahá’í, popularmente chamada de Templo de Lotus. A fé Bahá’í diz que seus templos devem ser frequentados por todos para orar, não importando a religião. Todos são bem vindos. Para entrar é preciso apenas estar descalço e fazer silêncio. Esse templo representa pra mim a tolerância religiosa, pois simbolicamente, aqui todas as religiões são respeitadas. Logo que entrei, calmamente em silêncio, respirei bem fundo e chorei por alguns minutos. Foi como se aquela luz que estava entrando pelo topo do templo pudesse trazer a paz pro mundo. Ali renovei as minhas energias e só conseguia desejar que o homem pudesse ver o quão pequeno somos em meio a esse imenso universo. Enfim… o Templo de Lotus foi um momento muito especial.

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Templo de Lotus
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Jardim do Templo de Lotus

Eu sou uma grande admiradora dos minaretes, aquelas torres das mesquitas onde são anunciadas as cinco orações diárias islâmicas. O Qutub Minar, com 72,5 metros de altura, é o minarete de tijolo mais alto do mundo, tombado como patrimônio mundial pela Unesco. Ele é um bom exemplo da arquitetura indo-islâmica. A cada mudança de governo em Delhi mudava-se tudo. A arquitetura de modo geral foi muito influenciada pelas religiões dos Maharajas. Quando entrava no poder um Maharaja hindu, todos os monumentos eram esculpidos com figuras das divindades hindus, figuras humanas e de animais. Quando entrava um Maharaja islâmico, este mandava destruir os monumentos hindus e esculpir trechos do Alcorão, desenhos geométricos, arabescos e vegetais, folhas, palmeiras, etc. O Qutub Minar representa justamente essa alternância religiosa dos poderes.

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O minarete Qutub Minar com trechos do Alcorão
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Qutub Minar
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Qutub Minar
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Complexo Qutub Minar
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Complexo Qutub Minar | Foto: João Marcelo Moreira

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Delhi foi a primeira cidade que visitamos na Índia e foi uma ótima iniciação. Experimentar a Índia tem cheiro, tem sabor, tem arquitetura e tem muita cultura. Eu vim em busca de mim mesma e dessas raízes que tanto me influenciam. Era um sonho conhecer as famosas especiarias, artigos de luxo tanto desejado pelos europeus que rodaram o mundo em busca desses sabores. E que bom que eles conseguiram! Com certeza a comida não teria evoluído tanto se tivéssemos apenas o sal como tempero. Vida longa às especiarias!

Encerro esse post com uma frase que diz muito sobre o pouco que aprendi na Índia: “Se ao menos nossos olhos vissem almas ao invés de corpos, como seriam diferentes nossos ideais de beleza.”

E sigo eternamente em busca de uma evolução espiritual.

Próxima parada… Varanasi!

Namastê

4 comentários sobre “Delhi

  1. Jú, muito legal essa forma de ver a vida! Estou curtindo muito suas histórias! E as fotos? Ah que fotos lindas!!! Amo fotografia e viagem, nem se fala! Parabéns! Seja muito feliz!

    1. Ei Ana!! Que felicidade ver um recadinho seu por aqui… :)
      Escrever é muito novo pra mim… Sempre amei viajar e agora estou tomando gosto por esse outro lado.
      Queria mesmo era contagiar todo mundo a sair da zona de conforto e viajar mais… Quem sabe?
      Amei te ver por aqui!! beijão

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