Acampando no Deserto de Thar, Jaisalmer

Deserto de Thar

Nada melhor do que imergir em um deserto para conhecer suas cores e seus mistérios. O Deserto de Thar começa a noroeste da Índia e se estende até o Paquistão. A porta de entrada pra esse deserto é em Jaipur, porém é em Jaisalmer onde as dunas são maiores e onde de fato é mais árido. Em meio à nossa roadtrip pela Índia, eu e o João resolvemos acampar uma noite no deserto em Jaisalmer, a cidade indiana mais próxima da fronteira com o Paquistão.

O acampamento se mostrou muito bem estruturado. As tendas são de lona, possuem um quarto com uma cama muito confortável, bastante espaço interno e um bom banheiro. Ao chegarmos fomos recebidos carinhosamente e logo fomos dar um passeio de camelo pelas dunas. Dividimos um camelo e um rapazinho muito simpático foi nosso guia. A aventura começa ao subir no camelo, ou melhor, quando o camelo se levanta. E vamos dizer que é bem alto lá de cima, o que me deixou tensa por alguns minutos. No balanço do camelo fui relaxando, foi quando percebi que estávamos no meio do nada, em um deserto lindo, de cores mágicas e que a cada minuto tudo mudava de tom. Pouco antes do sol se pôr, nosso guia nos ofereceu uma corrida de camelo e óbvio, por mais aterrorizante que pudesse parecer, eu não poderia recusar essa experiência. Foi hilário. Me senti como no desenho do pica-pau, num misto de surrealismo com travessura.

Deserto de Thar
Tendas do acampamento

Deserto de Thar, Jaisalmer

Deserto de Thar, Jaisalmer

Deserto de Thar, Jaisalmer

Deserto de Thar, Jaisalmer
Foto: João Marcelo Moreira
Deserto de Thar, Jaisalmer
Foto: João Marcelo Moreira
Deserto de Thar, Jaisalmer
Foto: João Marcelo Moreira
Deserto de Thar, Jaisalmer
Nosso guia numa foto raríssima sorrindo. Os indianos não costumam sorrir ao serem fotografados. | Foto: João Marcelo Moreira

A Índia de uma forma geral possui uma névoa muito característica. Essa névoa no inverno se faz presente quase todos os dias e no deserto não poderia ser diferente. O que foi ótimo, pois me permitiu que assistisse o pôr-do-sol mais lindo da minha vida.

Deserto de Thar, Jaisalmer
Nem o camelo resistiu ao pôr-do-sol
Deserto de Thar, Jaisalmer
Foto: João Marcelo Moreira

Deserto de Thar, Jaisalmer

Deserto de Thar, Jaisalmer

Ao voltar para o acampamento fomos marcados logo na entrada com um bindi de tinta vermelha feita de extratos vegetais, no local do terceiro olho, simbolizando a busca pela unificação do consciente e do subconsciente que pode ser conquistada através de meditação, mas também é uma preparação para ritos religiosos e cerimônias. E nessa noite estávamos nos preparando para uma pequena festa no acampamento e o nosso bindi combinou perfeitamente com o astral.

Deserto de Thar, Jaisalmer

A temperatura no deserto acompanha o sol. À medida que a luz do sol cai, a temperatura também cai. Depois de muito nos divertir brincando de corrida de camelo, um jantar delicioso foi preparado para todos do acampamento. Foram espalhadas fogueiras para iluminar a área aberta e formando um semicírculo, as cadeiras com mesinhas baixas foram posicionadas para assistirmos uma apresentação de dança enquanto comíamos pratos bem apimentados, diga-se de passagem, ótimo pra aquecer o corpo bem rapidinho.

Deserto de Thar, Jaisalmer

Deserto de Thar, Jaisalmer
Aquecendo as mãos na fogueira enquanto aguardava o jantar. | Foto: João Marcelo Moreira
Deserto de Thar, Jaisalmer
Músicos dando vida à noite no deserto enquanto belas moças encantavam a todos com suas danças e saris de cores vibrantes

Nunca subestime o clima de um deserto. São extremos inimagináveis e me surpreendi com quão pouca roupa os homens do deserto são capazes de vestir sem sentir desconforto. Acredito que pelo que conheci, são roupas feitas da barba do bode ou até de peles de outros animais, porém são tecidos tão finos e delicados que é difícil pensar que sejam suficientes para aquecê-los, mas são.

Famílias inteiras moram em pleno deserto, alguns vivem como nômades, outros fixam raízes em pontos como esse acampamento. Eles são extremamente conectados à natureza e possuem uma sabedoria ancestral. Dominam os astros e são capazes de se orientar e sobreviver sob o céu desnudo. Não dependem de tecnologia e nem de nada vindo da cidade grande tão avançada aos olhos do mundo, mas tão atrasada aos olhos de um povo que conhece tão bem o chão que pisa. Eles entendem da alma e do coração. Talvez eles tenham conquistado coisas que nunca saberemos ao certo, mas que vivemos atrás de sentir, que é o gozar da liberdade. Talvez eles sejam muito mais ricos do que a maioria da população mundial e pode ser que pra muitos nada disso faça sentido, pra eles, talvez o que não faz sentido somos nós, eternamente insaciáveis correndo atrás de uma lista infinita de desejos inalcançáveis. Quando no fundo, tudo o que queremos é amor, paz no coração e liberdade, e nesse quesito, sinto dizer, eles estão anos luz à nossa frente.

Namastê

2 comentários sobre “Acampando no Deserto de Thar, Jaisalmer

    1. Oi Laura! Fomos pela Gets Holidays, uma agência indiana maravilhosa. Montamos o pacote aqui no Brasil e eles resolveram tudo pra gente. Eu não tenho os valores separados de cada coisa justamente porque foi um pacote, mas te digo que não foi caro. A India é surpreendentemente barata. E acampar no deserto foi uma experiência única que eu não tiraria do roteiro de jeito nenhum. Espero ter te ajudado. Abs.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *