Viajar grávida, por quê não?

viajar gravidaQue uma gravidez traz mil dilemas e questionamentos, não podemos negar. Desde que comecei a me aventurar pelo mundo já pensava na limitação que um filho poderia gerar em relação a vários hábitos, principalmente em relação a minha maior paixão, viajar. Só de pensar no trabalho, toda a logística que envolve, filho chorando no avião, malas gigantes, já me arrepiava. Até o dia em que pus em pausta esse assunto em uma sessão de terapia. Foi quando descobri que o limite é psicológico e caso isso aconteça, a responsabilidade sobre o limite seria minha e não do filho. Parece complexo, mas é muito mais simples do que a gente imagina, como tudo na vida. Primeiro criamos o monstro na nossa cabeça, depois desmistificamos.

Pela Europa e pelos Estados Unidos é bem comum ver casais com filhos. Normalmente junto vemos aquela tralha toda sendo carregada. Até o dia em que fui pra Índia e pro Nepal e a minha visão de viajar com filho mudou. Lá a acessibilidade não é um facilitador, ou seja, esquece carrinho de bebê e mil malas. E por incrível que pareça, nada disso impede casais de viajarem com as crianças. Me impressionei com a quantidade de pais carregando bebês enrolados em panos presos às costas, como baby slings, e mães que levavam uma mochila tamanho normal. E olha que não foi um casal que vi. Foram muitos mesmo!

Nessa hora é que cai a ficha da clara diferença entre o oriente e o ocidente. Não que viajar pelo oriente signifique passar dificuldades, pelo contrário. Os valores são outros. No oriente o que sobressai é a experiência, o vivenciar o inusitado, é simplificar a vida. No ocidente, pela falsa sensação de facilidade de se locomover em cidades muito desenvolvidas, nos iludimos com a necessidade de comprar, de ter, de levar numa viagem muito mais do que realmente precisamos.

Aprendi viajando de mochila justamente para o oriente que menos é mais. Que duas calças, três camisas, um chinelo e um tenis é suficiente pra viver bem e por muito tempo. Nada de carregar parafernalha. E com criança essa premissa deve ser ainda mais forte, pois no fundo criança não precisa de nada além de amor e atenção.

Hoje que eu estou grávida e fazendo a mala pra viajar pra Nova York, me deparo com uma pressão social que me incomoda muito. Por mais que ninguém acredite, essa é a nossa lua-de-mel, mas todos pensam que estamos indo fazer enxoval de bebê. Esse é o ponto que, voltando à minha terapia, um bebê não limita, ele muda as suas escolhas. A começar que ao casar queríamos passar a lua-de-mel no Peru, porém, logo me vi grávida e considerando a altitude de Machu Picchu, que pode prejudicar o bebê, tivemos que mudar o destino. Nada mais sensato do que viajar por perto para evitar voos longos com gravidez avançada. Com isso, juntamos a vontade de fazer nossa última viagem antes de efetivamente sermos pais, à vontade de conhecer uma das cidades mais badaladas do mundo, Nova York.

A pressão social que nos cerca sempre vai existir, afinal, as pessoas são reflexo delas mesmas, dos seus valores e princípios. Eu que sou contra o consumismo exacerbado de qualquer espécie, sempre vou me incomodar quando alguém supor que ir para os Estados Unidos ou qualquer outro lugar seja sinônimo de comprar, comprar, comprar. Alguns ainda justificam “mas é tudo tão barato que se torna irresistível”, outros ainda dizem “tenho certeza que você vai voltar com duas malas”. Não vou nem mencionar a crise no país que não me permite acreditar ser possível comprar qualquer coisa que não seja extremamente necessária e indispensável para a sobrevivência, que dirá encher duas malas de tranqueiras americanas.

Estou feliz por ter quebrado alguns paradigmas que tinha antes de engravidar. É claro que há gestações de risco e sem dúvida essas mulheres não podem se arriscar viajando, mas tirando esses casos, não há o menor problema em viajar grávida. Aliás, estou super curtindo o clima de viajar com barriguinha sem neura. Mas, mais do que isso, espero que mesmo nascendo em um mundo consumista de tecnologia e tudo mais, onde a lei da obsolescência predomina, eu consiga passar a essência da vida e os valores que realmente são importantes pra esse bebê que nos escolheu como pais para vir ao mundo.

viajar gravidaEnfim, gravidez e filho não vão me impedir de viajar, pelo contrário. O que mais desejo é mostrar o mundo pra essa criança abençoada que está chegando e quem sabe ensinar que o valor não está nas coisas e sim nas experiências vividas.

Que venha a selva de pedras!

Beijos e na volta… todas as novidades dessa cidade ultra contemporânea!!

Ah! E a Renata da Bidu Corretora também capricha dando altas dicas pras gravidinhas de plantão no post “Viajar grávida é uma boa?”. Clique aqui e leia mais! ;)

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