Os encantos do Vale de Kathmandu

Os encantos do Vale de Kathmandu
Vale de Kathmandu

Por mais que eu desejasse muito um dia pisar em Kathmandu, era um sonho que me parecia distante, daqueles que pensamos “é… um dia quem sabe eu vou ao Nepal…”, quase em suspiros. O que eu não sabia e descobri em tempo, é que quando a gente deseja demais alguma coisa, todo o universo conspira a seu favor pra que aquilo aconteça. E quando menos percebi, eu estava lá, de olhos arregalados, braços arrepiados e lágrimas nos olhos. Finalmente eu cheguei no Nepal.

Com um sorriso largo no rosto eu andei por essa cidade. Você sabe como é… Paixão antiga quando vinga, só aumenta. E Kathmandu, exalando seu charme por todos os cantos, me seduziu desde o primeiro momento. Mas a verdade é que eu estava totalmente propensa a cair de amores por ela. Totalmente entregue pra viver essa experiência. E posso te dizer… foi intenso.

Aqui, diferentemente da Índia, os turistas se soltam mais. O clima da cidade é bem mais jovial e cheio de escaladores circulando, se preparando para partir ou chegando de algum trekking ou escalada em alguma montanha da região, que vamos combinar não é nada molezinha.

Vendo aquela galera entrando no clima do Himalaia, tive vontade de largar tudo e seguir nesse caminho também. Infelizmente a razão não deixou meus impulsos tomarem conta, então o trekking pela base do Annapurna ficou pra próxima.

Onde ficar?

Thamel foi o bairro que escolhemos pra ficar por 4 dias, tempo que ficaríamos no país. Melhor escolha não poderia ter sido feita. Esse bairro é uma gracinha. Muito movimentado de dia e de noite, cheio de lojinhas e bares noturnos. Restaurantes? Você pode comer um prato de cada país do mundo diferente por dia. Tem pra todos os gostos. E são deliciosos, viu!? Fomos às forras, já que na Índia a vida noturna é praticamente nula.

Eu confesso que não sou de fazer compras quando viajo. É uma escolha que fiz desde muito nova. Ou faço compras, ou viajo. E também me sinto mais livre sem me preocupar em consumir e a mala fica bem mais compacta. Porém, aqui em Kathmandu a tentação é enorme. Pra quem gosta de montanhismo, aqui é a grande oportunidade de adquirir todo o equipamento, roupas próprias de escalada, trekking, tudinho. E o preço é absurdamente barato. Quase um insulto. Se você não for muito controlado, vai sair daqui com uma mala nova cheia desses artigos.

Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira

THAMEL 1

A Durbar Square é a praça mais antiga da cidade. Nesse espaço, cercado de pequenos palácios e templos com arquitetura super tradicional, pulsa o coração de Kathmandu. É fácil passar horas e horas vagando ao redor dessa praça, vendo a movimentação do povo, os rituais diante dos templos e dos deuses e o comércio acontecendo. Os edifícios originais são muito antigos e foram reconstruídos após o terremoto de 1934. Alguns anos depois essa praça foi designada pela Unesco como Patrimônio Mundial. Infelizmente muitos desses edifícios foram novamente destruídos no terremoto desse ano, 2015.

Essa viagem que aqui compartilho foi realizada em 2014 e tive o privilégio de conhecer essa cidade antes desse último desastre. Ao saber da notícia, meu coração ficou em pedaços. A natureza é impiedosa e mostra todo seu poder diante dos frágeis homens e fica o inconformismo das vidas que se perderam e dos destroços que sobraram. O sentimento de injustiça ficou dias e dias dentro de mim. É difícil entender um fenômeno como esse diante de um povo tão alegre, tão vivo e tão em paz. Ao mesmo tempo que é esse fenômeno que fez nascer a maior cordilheira do mundo, a mais imponente e poderosa.

É pela força das placas tectônicas que ali se encontram, que o Himalaia tão majestosamente surgiu e até hoje se impõe sobre a terra. É tão contraditório e fascinante ao mesmo tempo. E é pelo Himalaia que tantas cidades da região vivem e se alimentam, do turismo que gera e das almas aventureiras que por ali circulam. Só posso acreditar que existe uma força maior protegendo esse povo de fé inabalável.

Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira

DURBAR SQUARE 10

DURBAR SQUARE 2

DURBAR SQUARE 6

Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira

Os rickshaws são famosos aqui e é um dos meios de transporte mais utilizados. É uma espécie de bicicleta adaptada puxando como uma carroça os passageiros que sentam no banco de trás. Nada confortável e no começo fiquei com remorso por permitir que uma pessoa me puxasse fazendo tanto esforço pra que eu, na mordomia, economizasse as pernas. Mesmo me sentindo mal com a situação, eu percebi que pra eles é o ganha pão e que cultura é difícil de discutir.

RICKSHAW 1

RICKSHAW 2

Swayambhunath, popularmente conhecido como Templo dos Macacos, fica no alto de uma colina e 365 degraus acima. Na verdade, esse templo é um complexo de estupas, templos budistas e hindus e até lojinhas e restaurantes. Bem ao centro do complexo fica a maior estupa budista, com uma torre dourada brilhante pintada com os olhos que tudo vê, nas suas quatro faces. Além disso, do alto desse templo você tem a melhor vista de Kathmandu. Foi um dos lugares mais lindos que visitamos na cidade e os macaquinhos travessos ajudam bastante na diversão.

Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira

TEMPLO DOS MACACOS 2

TEMPLO DOS MACACOS 3

Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira

TEMPLO DOS MACACOS 5

TEMPLO DOS MACACOS 6

Foto João Marcelo Moreira
Foto João Marcelo Moreira
Kathmandu, Nepal
Templo dos Macacos

O Nepal é o paraíso dos mochileiros e Kathmandu se mostrou pra mim mística e fascinante. Descobri que aqui é literalmente o nirvana para os amantes da montanha e não é à toa. É nesse cantinho do mundo que encontramos umas das paisagens mais estonteantes e dramáticas do planeta, onde a natureza exibe todo o seu potencial.

A minha viagem ainda não acabou, mas já é certo que um dia vou voltar. O Annapurna me espera!

Namastê

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