Primeiro glaciar em El Calafate

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O livro tem o poder de me tele transportar pra qualquer lugar, simplesmente pela leitura. Os de aventura que tanto amo, me fazem querer sair do lugar estático, sair da mesmice e experimentar sensações novas. Vários livros me influenciaram, mas alguns mais do que outros. Entre os que mais me marcaram estão: Sobre homens e montanhas e Na natureza selvagem, os dois do Jon Krakauer, Mar sem fim do Amyr Klink (fenomenal, por sinal) e 10 anos no mar, da família Schurmann. É como se até então eu estivesse hibernando e depois de ler esses livros, tivesse despertado em mim uma inquietude maior do que eu mesma. Me bateu um sentimento de não pertencimento do local em que eu vivia (a mesma cidade até hoje) e que eu precisava sair pelo mundo como eles, pra me descobrir e respirar novos ares.

Os montanhistas e escaladores sempre dizem que muitas vezes são questionados dos motivos de se submeterem a tamanha loucura para alcançar um pico alto cheio de riscos e pra eles a resposta é simples. Louco é quem não tenta. A minha teoria é que essas pessoas são viciadas em adrenalina e precisam se desafiar constantemente. Não cheguei ao ponto de tentar o Everest, mas no quesito desafio me tornei uma pessoa que precisa sempre de uma aventura nova. O sentimento de superação é indescritível e eu tomei esse caminho sem volta. Desde então eu to sempre em busca desse gostinho e a Patagonia foi o meu primeiro experimento.

Comecei traçando a minha rota, chegando por El Calafate, na Argentina, fronteira com o Chile, depois seguir descendo por Puerto Natales, Torres del Paine, que seria o auge da trip, Punta Arenas, Ushuaia e finalizar subindo direto pra Buenos Aires. O foco desde o princípio foi um trekking de 5 dias, fazendo o Circuito W em Torres del Paine. Todo o restante da viagem seria em função disso. E assim foram 23 dias de aventura, começando pouco antes do Natal e finalizando em janeiro…

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El Calafate é uma pitoresca e pacata cidade, onde se ouve ao longe o assobio do feno rodando com o vento. Brincadeira, rs, não se ouve o assobio do feno, mas de fato é uma cidade minúscula. El Calafate foi a base pra visita ao Glaciar Perito Moreno. Dois dias na cidade é mais que suficiente. No primeiro dei uma volta de bike pela cidade pra conhecer alguns lagos formados do derretimento dos glaciares, uma gracinha.

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No segundo dia já parti pro Perito Moreno, à 80 quilômetros da cidade, de ônibus com um grupo formado em El Calafate. Ao longo da estrada a paisagem é linda e beira o Lago Argentino, que é o maior e mais austral lago da Patagonia. O glaciar fica dentro de um parque e pra chegar até ele, ainda é preciso pegar um catamarã pra atravessar um outro lago.

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A primeira visão do glaciar que eu tive foi de longe e já me deixou em estado de choque. Só de saber que todo aquele gelo foi acumulado ao longo de milhares de anos, já me senti fazendo parte da história. Andar sobre aquele glaciar todo então… Sem dúvida foi uma experiência única. Foi ali que vi o meu primeiro iceberg, que tive o primeiro contato com os crampons, os cuidados com o gelo, mas o mais maneiro foi aprender a respeitar muito mais a natureza.

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Sobre o glaciar… algumas explicações do guia…

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Depois de fazer um mini trekking sobre o glaciar, morrer de frio com o ar gélido que corre sobre ele e tomar um whisky com gelo do Perito Moreno, sai de lá feliz da vida. É emocionante demais assistir aquele espetáculo da natureza tão de pertinho, ouvir os ruídos que o gelo faz quando se rompe e explode na água… Foi um momento único e muito marcante da viagem.

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Tirei pra mim muita energia boa dessa viagem. Estar ali foi um presente divino. Me sinto privilegiada e uma garota de sorte, mesmo acreditando que quanto mais eu trabalho pras coisas acontecerem, mais sorte na vida eu tenho. Mas o mais bacana de ver de pertinho todo aquele gelo, foi entender o processo do desgelo e o que tem causado isso. Não é papo de ambientalista radical. É papo de ter mais consciência sobre a nossa responsabilidade no mundo. A sua contribuição é pequena, mas ela é repassada pelo seu exemplo por várias gerações e assim vai. E assim, o planeta também vai… mas vai embora. É triste sentir isso e saber que contribuímos tanto pro desequilíbrio da Terra. Me propus que a partir daquele momento, eu repensaria o meu consumo, os meus hábitos diários, repensaria no que eu lanço pro mundo… Acho que viajar tem esse grande poder influenciador sobre a minha vida. E sou eternamente grata ao universo por ter tido a oportunidade de pisar ali e tentar melhorar o meu mundinho, que seja.

Namastê

Por um mundo melhor…

8 comentários sobre “Primeiro glaciar em El Calafate

  1. Muito bem Juliana, siga esse novo instinto de se desafiar permanentemente! Mas faça isso sempre, não só em viagens.

    Eu já faço isso há anos!!! E meus desafios são imensos pq tenho problemas de saúde, mas não os deixo me derrubar. Foi assim que encarei o Perito Moreno em 2013, mais ou menos na mesma época que vc foi.
    Vi suas fotos e reparei que vc utilizou seu bastão de trekking no glaciar. Quando eu fui, eles não me deixaram usar o meu!!! Pode??

    Esse ano vou de novo e, vendo sua foto me animei e vou levar meu bastão e tentar novamente.

    Grande beijo

    1. É isso aí Bethania. A gente tem que se desafiar constantemente. Esse é o meu maior prazer. Fico feliz por você continuar viajando e se desafiando. O Perito Moreno é um lugar muito especial que com ctz um dia voltarei, mas da próxima vez vou levar a minha filha. Precisando de qualquer dica… é só falar. Bjs :)

  2. Oi Juliana! Tudo bem?
    Estou pensando em fazer o Circuito W em janeiro e queria aproveitar para conhecer lugares ao redor. Seu roteiro me pareceu muito bom, mas eu quero passar uns 12 dias fora, no máximo. E não pretendo gastar mais que R$6000 (tudo incluso, hostel, alimentação, circuito, exceto passagens). Qual lugar você excluiria, no meu caso? E você acha que é possível gastar apenas isso? No Circuito W penso em ficar nos campings e nos refúgios, intercalando, ou quem sabe apenas nos campings, alugando barraca e saco de dormir.
    Obrigada!

    1. Ei Cibely! El Calafate eu não deixaria de ir, não tanto pela cidade que é pequena, mas pelo Perito Moreno que é SENSACIONAL! Eu diria imperdível. De lá fui pra Puerto Natales que é a base pra quem vai pra Torres del Paine, mas aqui você pode ficar o tempo suficiente pra pegar o ônibus pra TDP. Eu passei uma noite e parti na manhã seguinte. De lá fui pra Punta Arenas. A cidade em si não é lá essas coisas. Também é uma cidade bem pequena, mas as ilhas perto de Punta Arenas são legais. Foi aqui que vi muitos pinguins, leões marinho, muitas aves típicas da região e da Antártica, que migram pra cá. Mas eu não diria que é imperdível se você for pra Ushuaia, que pra mim é uma cidade clássica. Quando fui, realizei um sonho ao chegar em Ushuaia, por tudo que ela representa historicamente, pelo Canal de Beagles, por estar tão perto da Antártica, enfim, por mil motivos eu quis conhecer e valeu muito a pena. Também tem um passeio top pra fazer pelo Canal de Beagles que você vai ver alguns dos animais que você veria em Punta Arenas. Acho que você tem que seguir seu instinto e calcular o tempo de deslocamento, pois Ushuaia é mais afastado e os custos também. É difícil eu dizer se com R$6.000 você faz isso tudo. A princípio é mais do que suficiente, mas depende do seu padrão, do que você vai comer, de onde vai se hospedar… Torres del Paine é caro pra ficar nos abrigos e tem que reservar com bastante antecedência. Sem dúvida alugar barraca você economizaria muito. E você pode só pagar a alimentação dos abrigos e dormir acampando. Eu fiquei nos abrigos, mas tenho amigos que acamparam e sobreviveram, rs. Bom, acho que é isso. Se eu puder te ajudar em algo mais… é só falar. Beijos e vou torcer pra tudo ser perfeito. Essa viagem é incrível! Certamente um dia vou voltar. :*

      1. Muito obrigada por responder!!
        Sim!! Sempre quis conhecer Ushuaia, não só pela beleza da natureza de lá mas pela geografia também. El Calafate quero ir com certeza! Perito Moreno deve ser sensacional.
        Você reservou com quanto tempo de antecedência os refúgios? Não vou levar barraca, por isso se eu ficar nos campings tenho que alugar tudo, barraca e saco de dormir. Será que nos campings as procuras são menores? Já li relatos de pessoas que conseguiram bem em cima da hora barraca por não conseguir reserva nos refúgios.
        Obrigada!

        1. Cibely, eu devo ter reservado os refúgios com uns dois meses de antecedência, mas não custa tentar, mesmo que você já esteja em cima da hora. Muita gente deixa pra alugar barraca lá, é bem mais prático porque você não precisa carregar a viagem toda, porém alguns campings são afastados dos refúgios, ou seja, você não vai ficar totalmente livre do peso. Se você entrar em contato direto com os refúgios, vai conseguir ter todas essas informações com precisão. É bom você se programar. Se você quiser realmente economizar, o mais barato é alugar barraca e apetrechos em Puerto Natales. Lá eles estão preparados pra receber essa galera que vai pra TDP e tem várias lojas que alugam equipamentos diversos com preços melhores. Em TDP você não tem opção então eles cobram mais caro. Enfim, é um caso a se pensar, porque de qq forma você vai ter que carregar sua barraca entre um acampamento e outro. Eu se fosse você, estudaria melhor essa logística. Como eu não acampei, não consigo te ajudar muito, mas muita gente acampa e com ctz se você pesquisar na internet deve ter alguém contando como foi e talvez possa te ajudar mais. Espero ter contribuído pra sua viagem dar certo. bjs!

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