Agra, a cidade do Taj Mahal

Complexo do Taj Mahal
Complexo do Taj Mahal

Para quem nunca foi à Índia, é natural pensar que o mais bacana nesse país seria conhecer o Taj Mahal, assim como é natural que você não imagine o tamanho do complexo que envolve esse monumento. Conhecer o Taj Mahal é se surpreender aos poucos. Ele é cercado por muitos jardins bem cuidados e várias construções baixas com arcos árabes, no tom avermelhado e de uma beleza rara. A cada passo você se distrai com algum elemento diferente. É tudo tão lindo e perfeito que você quase esquece que está caminhando em direção ao Taj Mahal. À medida que fui me aproximando, a ficha foi caindo até me deparar com um grande portal emoldurando milimetricamente aquela miragem. É mesmo de tirar o fôlego. Com a internet somos bombardeados diariamente com fotos que deixam qualquer cidade parecendo um paraíso e isso me fez acreditar que o Taj Mahal seria bonito, claro, mas não que seria algo tão excepcional como dizem por aí. Ver com meus próprios olhos sem dúvida mudou minha opinião. Fiquei em estado de choque assim que o vi. O Taj é tudo isso que dizem, um verdadeiro monumento dedicado ao amor.

Complexo do Taj Mahal
Complexo do Taj Mahal

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Difícil ver alguma fotografia inovadora de um lugar que recebe cerca de 7 mil visitantes por dia e um milhão de cliques, mas ainda sim tentei achar novos ângulos. Porém, não há foto alguma que vai reproduzir a emoção que é ver de perto essa maravilha do mundo.

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Pra quem não sabe, Shah Jahan foi o imperador que teve a grande ideia de construir esse mausoléu pra sua esposa. Imagino que ela deve ter sido muito especial para deixa-lo assim, tão apaixonado, em tempos que um imperador podia ter várias rainhas, além das quinhentas concubinas. Que tarefa, ein, meu rei! E nosso queridíssimo Jorge Ben canta essa história pra gente, ouça aqui, “foi uma linda história de amor…”.

O nível do perfeccionismo foi tão grande que para que os trabalhadores islâmicos pudessem orar cinco vezes por dia e não se ausentassem do complexo, foi construído uma mesquita voltada para Meca em uma das laterais do Taj. Para manter a perfeita simetria e o equilíbrio da composição arquitetônica, foi construída outra mesquita na lateral oposta, porém sem valor religioso. Tudo pensado nos mínimos detalhes. E tem mais! Os quatro minaretes que cercam o Taj são ligeiramente inclinados para fora, para que, em caso de terremoto, eles não caiam para dentro destruindo o mausoléu. É muito amor para um imperador só. Sorte nossa, pois herdamos essa belezura toda.

Ei! Não vá pensando que só de Taj Mahal vive a cidade de Agra. O Forte Vermelho é tombado como Patrimônio Histórico da Unesco e foi usado como base para muitos governos Mughal’s. Apesar de lindo e estupendo, esse forte tem uma história triste. O eterno apaixonado imperador Shah Jahan não se contentou em construir apenas um Taj em mármore branco. Só um? Porque não construir um todo em mármore preto na margem oposta do rio? E para conter essas ideias geniais do pai, um de seus filhos o prendeu nesse forte ainda enquanto o Taj branco era erguido. Shah Jahan adoeceu preso e apenas pode ver de longe pelos muxarabis do forte seu Taj Mahal ser finalizado. Imagina construir aquele monumento todo majestoso e não vê-lo pronto? Frustrante, eu diria. Ao falecer, seu corpo foi colocado dentro do Taj ao lado do de sua esposa, mantendo a simetria do mausoléu. É ou não é uma história incrível? De perto então… nem te conto. ;)

Forte Vermelho |Foto Bucketlistly
Forte Vermelho | Foto Bucketlistly
Forte Vermelho
Forte Vermelho
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Forte Vermelho
Forte Vermelho
Forte Vermelho
Forte Vermelho
Forte Vermelho
Forte Vermelho
Forte Vermelho
Forte Vermelho. Vista do Taj Mahal | Foto Bucketlistly
Forte Vermelho. Vista do Taj Mahal | Foto Bucketlistly

O que mais chamou a minha atenção no forte, além do tamanho, ele é enorme, e da sua arquitetura impecável, foram as incrustações nas paredes. Hoje restam apenas buracos em formatos geométricos ou alguma outra figura, todos esculpidos no mármore. Em outros tempos, essas incrustações eram preenchidas com pedras preciosas, safira, lápis-lazúli, entre outras, mas infelizmente todas foram saqueadas no período das guerras e do domínio britânico. A dimensão desses vazios nas paredes são realmente impressionantes. Isso é suficiente para ter ideia do quanto a Índia já foi rica.

Vazios nas paredes em formas geométricas antigamente foram preenchidos com pedras preciosas
Vazios nas paredes em formas geométricas antigamente preenchidos com pedras preciosas

Ao entrar no forte eu tive a sorte de cruzar com um maharaja, um príncipe indiano, e na saída tive o prazer de conhecer umas meninas indianas que pediram para tirar foto comigo. Pude perceber o quanto eu era diferente pra elas, mas na verdade eu é que fiquei curiosa e quis aproveitar a chance de ter um pouco mais de contato. Foi uma boa troca, eu era uma novidade pra elas e elas uma experiência pra mim.

Maharaja na entrada do Forte
Maharaja na entrada do Forte

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Saindo de Agra, eu e o João partimos de carro com o Sr. David ao volante com destino a Jaipur. Contratamos ainda do Brasil uma agência, a Gets Holidays, para viabilizar nossa roadtrip pela Índia, e isso incluía um carro a nossa disposição e um motorista, já que é impossível um turista dirigir no caos do trânsito indiano. E foi a melhor escolha que podíamos ter feito. Pegando a estrada tivemos oportunidade de ver de perto uma Índia que não está nos cartões postais. Nômades viajando de dromedário com famílias inteiras, caminhões inexplicavelmente abarrotados e a mudança de cores do deserto ao longo do dia e das cidades à medida em que passávamos por elas. Muda a cidade, mudam suas cores, seus dialetos, muda toda a perspectiva. A beleza da Índia está na cultura, nas pessoas e para experimentarmos isso escolhemos rodar por 3.000 km, parando em várias cidades e absorvendo tudo que elas tinham pra nos oferecer.

Família nômade na estrada
Família nômade na estrada

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Viajar faz parte do meu processo de transformação pessoal. A perfeição do Taj Mahal, do Forte Vermelho e de tantos outros monumentos espalhados pela Índia se choca com a dura realidade do povo e me faz repensar a razão da nossa existência, se é que existe alguma. A cada viagem me questiono sobre o porquê de estarmos aqui e ao mesmo tempo isso se torna um estímulo para continuar nessa jornada pelo mundo, conhecendo pessoas diferentes, lugares exóticos e outras culturas. Me sinto seduzida toda vez que penso na Ásia, acho que me identifico com a simpatia dos asiáticos e com a forma positiva como eles veem a vida. Não é demais, apesar de todas as dificuldades do quotidiano, ter sempre um sorriso no rosto? Eu quero isso pra mim e espero não sair nunca desse processo de aprender com os sábios que encontram paz em meio ao caos.

Próxima parada, Jaipur. Mercados de rua fervendo, pedras preciosas, cobras hipnotizadas por flautistas e elefantes coloridos. Como eu disse… a cada cidade, tudo muda e eu mudo também.

Te vejo lá!

Namastê

2 comentários sobre “Agra, a cidade do Taj Mahal

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