Uma vida em Cape Town

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Eu sou suspeita pra contar qualquer coisa sobre a África porque minha paixão foi muito mais do que à primeira vista. Tudo que eu disser daqui em diante vai ser com olhos brilhando, simplesmente não dá pra ser “morna” falando de Cape Town.

Essa é uma cidadezinha perfeita pra passar aquelas mini férias, porém, já te adianto que você vai embora com gostinho de quero mais, tem jeito não. Até não fazer nada aqui é muito legal. A Cidade do Cabo é uma típica cidade litorânea que vai te surpreender. Vamos dizer assim… é um pequeno paraíso com o metro quadrado mais bem frequentado da África. Gente bonita, carros de luxo pra todo lado, casas de revistas, um climinha delícia pra curtir o verão e muitos europeus fugindo do inverno.

Eu escolhi ficar em Sea Point, um bairro super charmoso entre Green Point e Camps Bay. Como viajei sozinha, decidi ficar num hostel em quarto compartilhado, pra ajudar a fazer amizades, o que funcionou muito bem. Logo conheci um francês e um brasileiro, ambos estavam na cidade pra aprender inglês. Ali passou então a ser a minha base por 17 dias. Eu já sai do Brasil com a intenção de viajar pela costa sudeste da África do Sul, só não sabia ainda como seria.

Não tem nada como viajar sem grandes pretensões. Qualquer descoberta passa a ser uma ótima surpresa. E foi exatamente assim com a cultura sul africana. Aos poucos ela foi se revelando de uma forma maravilhosa. Fui descobrindo a gastronomia rica em especiarias, a arte e os artistas, as músicas, os hábitos corriqueiros e quando percebi já estava completamente envolvida naquele clima de muito alto astral. Poucos povos no mundo são tão sorridentes e de coração aberto como esse. É um povo muito marcado por sofrimentos e você sente isso em várias circunstâncias. Sempre fui amante da história e conhecer um pouco mais sobre Nelson Mandela me deixou ainda mais fascinada.

Voltando às raízes… quem passar por lá deve ir ao restaurante Mama África. Chato eu dizer isso, mas é imperdível. Uma combinação perfeita de sabores, sons, cores… Experimentei umas carnes exóticas, antílope, crocodilo, springbooks, zebra… (os ambientalistas que me perdoem, mas achei o crocodilo muito gostoso), assistindo apresentações de dança africana, ao som dos instrumentos locais. Sai de lá hipnotizada!

O primeiro conselho que ganhei foi “vá direto à Table Mountain”, e só depois entendi o porquê. O clima de Cape Town é meio instável, pode chover a qualquer momento e o mal tempo pode perdurar. Então logo nos primeiros dias subi a famosa Table Mountain de teleférico. Confesso que hoje me arrependo de não ter subido a pé. Tem uma trilha que te leva ao topo, mas desisti quando vi a placa “Cuidado! Cobra!”. Preciso dizer que a vista é de tirar o fôlego? Vou dizer assim mesmo. Fora o frio que passei (eu fui direto da praia e só tinha um moletonzinho na mochila!), valeu cada segundo lá em cima e tive o prazer único de ver o sol se pôr.

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As praias são uma história a parte. No Brasil comprei o maior biquíni possível para curtir as praias africanas. Tudo estava ótimo até de fato eu ir à praia e ser a coisa mais observada do planeta. Sem exageros! As pessoas se cutucavam e cochichavam, mostrando uns aos outros o tamanho do meu biquíni. Na boa, era um tamanho gigante pro padrão Brasil, padrão carioca então… Surreal! Fiquei completamente sem graça, mal mal molhei os pés na água gélida do Oceano Atlântico, voltei pra areia e pus o short. Nesse dia, o bronze foi assim. Cultura é uma coisa que não se discute. Pra quem faz topless, qual o problema de um biquininho? rsss.

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É inevitável falar do Waterfront, que pra mim é uma gracinha! É um antigo porto restaurado, cheio de lojinhas e restaurantes. É muito prazeroso se perder por ali. Poderia ir dia sim, outro também, e não enjoaria. Quando eu tiver o meu veleiro com certeza atracarei por lá, rs. Você já entra na cidade com o pé direito e olhando pra Table Mountain. Nada mal, né!? E os músicos tocando um blues enquanto você caminha? Ah! E foi ali que eu tomei o melhor milk-shake da minha vida, numa lanchonete meio pin up e com uma máquina pra colocar moeda e escolher a sua música pra tocar. Tem coisa mais gostosa?

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Um blues no Waterfront

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Foi também no Waterfront que aconteceu um episódio cômico, se não fosse trágico. Eu cheguei em Cape Town depois de 4 dias num safari, completamente isolada do mundo, e me perdi no tempo. Eu não sou lá a pessoa mais ligada do mundo, era dezembro e perdi as contas dos dias da semana e do mês. Num dia de sol, resolvi fazer uma trilha e subir a Lions Head, uma montanha que tem uma vista panorâmica da cidade. Subir foi um desafio à parte. Tem momentos que tem muita pedra e rola até uma semi escalada, ou seja, passei o dia focada curtindo a trilha e o visual. Na descida, fui comer um hambúrguer com milk shake na tal lanchonete pin up, quando de repente, no meio do lanche, eu descobri que era Natal. Dá pra acreditar? Fiquei desesperada. Não sabia se ria ou se chorava. Nessa altura do campeonato eu já estava com saudade da minha família e sabia que eles não estariam em casa na noite de Natal, ou seja, não conseguiria falar com eles mais naquela noite. E toda a minha felicidade de fazer a trilha iradíssima foi embora quando eu descobri isso. Mas tudo bem, as emoções afloraram e no dia seguinte fiz questão de ligar pra todo mundo feliz da vida. Fica esperta, garota!

Subindo a Lions Head
Subindo a Lions Head
Lions Head
Lions Head

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O Bo Kaap é um bairro atípico da Cidade do Cabo, predominantemente muçulmano. Casas coloridas compõem as ruas e mesquitas as esquinas. Tive a oportunidade de conhecer uma família que mora ali e presenciar alguns rituais. Foi a primeira vez que vi mulheres com burcas pretas, algumas escondendo até os olhos. É bastante diferente de tudo que eu já tinha visto antes e sem dúvida é um pouco intrigante, mas como eu já disse, cultura não se discute.

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Bo Kaap

Eu sou uma garota mais do dia, mas pra quem curte a noite tem muita coisa maneira pra fazer. Eu gostei de dois lugares, um pub com sons alternativos na Long Street e do Dizzis em Camps Bay. O Dizzis me marcou muito porque a princípio eu pensava que era um barzinho com karaokê e pizza, super relax. Logo que eu entrei estava rolando “Sex on fire” da banda Kings of Leon e a galera ensandecida dançava em cima das mesas. No final das contas realmente era karaokê, só que bem mais animado do que eu imaginava.

Nesse meio tempo, eu, o brasileiro e o francês decidimos alugar um carro pra viajar pela costa da África do Sul, como eu desejava desde o começo. Detalhe é que a mão é inglesa e logo no primeiro dia o francês arrancou o retrovisor, o brasileiro não tinha experiência e sobrou pra mim. Adorei dirigir do lado contrário. Altas barbeiragens que renderam muitas risadas, mas deixei o carro intacto. E o primeiro passeio oficial foi pro Cabo da Boa Esperança.

Ahhhh… o Cabo da Boa Esperança. Fiquei imaginando as embarcações que tanto queriam chegar às Índias e que enfrentavam ali o mar mais bravo do mundo pra época… mas acho que hoje em dia o Cabo de Horn é considerado o mais bravo, enfim… Um cabo sempre representa muita coisa, rs, e o caminho pra chegar até ele é fantástico. Acho que tirei mil fotos só nesse dia, rs. Ali a natureza é perfeita demais. Ao chegar no ponto mais extremo da África, onde se encontram os dois oceanos, Atlântico e Índico, você se depara com todo aquele espetáculo bem à sua frente… e suspira. Realmente merece uma pausa pra meditar e um milhão de fotos.

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A caminho do Cabo da Boa Esperança

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O encontro dos dois oceanos

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Aqui também tem algumas trilhas que passam por vegetações de pequeno porte nativas e com aquelas plaquinhas “Cuidado! Cobra”, mas dessa vez eu arrisquei. E adivinha? Óbvio que uma cobra cruzou a trilha exatamente à minha frente. Não me lembro, mas devo ter tido pesadelo naquela noite, com certeza, rs. E o visual compensa qualquer cobrinha pelo caminho. E de gruja, na volta do Cabo da Boa Esperança tem a Boulders Beach, cheia de pinguins pra você ficar babando.

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Depois de cinco dias vivendo em Cape Town, partimos os três pra uma jornada pela costa sudeste sul africana, mas aí queridos… são muitas outras histórias à parte.

Até a próxima! ;)

2 comentários sobre “Uma vida em Cape Town

  1. Pingback: Jay

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