O fim do mundo é logo ali… Ushuaia

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Ushuaia é a cidade mais ao sul da América do Sul, ou poderia dizer que é a cidade mais austral (adoro essa palavra, me faz sentir perto da Antártica, rs). Esse é o meu destino final de uma jornada de 20 e poucos dias entre trekking, glaciares, bicicleta e outras aventuras. Tudo começou em El Calafate, seguindo pra Puerto Natales, Torres del Paine, Punta Arenas e finalizando aqui em Ushuaia. Mesmo com todas as surpresas ao longo do trajeto, Ushuaia ainda guardava muitas outras, a começar pela estrada pra chegar aqui. O visual é estonteante durante todo o percurso vindo de Punta Arenas. Fiquei encantada.

Guardei quatro dias nessa cidade pra descansar e fechar a viagem e foi na medida certa, ainda mais que era véspera de Réveillon. Ushuaia é uma cidade pequena e fácil de circular. Era verão e peguei temperaturas baixas, mas super agradáveis, nada de neve. No inverno, acredito que fique congelante. Aqui chega uma corrente de ar fria vinda da Antártica que deve trincar o nariz. Pra quem gosta de esquiar é perfeito.

O meu hostel Los Cormoranes era simples, mas muito bem frequentado. O refeitório virou ponto de encontro pra ouvir as histórias e trocar experiências com outros viajantes. Tinha gente de todo lugar do mundo. Até um japonês que não falava nenhum outro idioma além do dele, mas nem por isso deixou de se comunicar. Adoro conhecer pessoas assim, destemidas e que desbravam seu próprio mundo apesar de alguma adversidade. Sem contar os alemães que estavam lá fazendo trekkings também, franceses de Reunion Island, um tcheco, uma família brasileira com duas crianças pequenas, etc., enfim, o refeitório era bem diversificado. E isso pra mim era um parque de diversões. Uma das minhas partes favoritas das minhas viagens e ali eu estava bem servida. No réveillon foi bem legal. Cada um preparou um prato ou comprou alguma coisa e fizemos uma bagunça no hostel mesmo. Foi muito divertido e na hora da virada, além da contagem regressiva, cada um desejou feliz ano novo no seu próprio idioma. Foi muito alto astral e um momento único.

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Réveillon

A vantagem de estar num lugar pequeno e ter certa folga de tempo é não precisar ter tanta pressa pra fazer os passeios. O meu hostel ficava na parte alta da cidade, mas bem no centro, a poucas quadras da avenida principal. A cidade é muito bem cuidada e dá prazer circular pelas ruazinhas. As casas coloridas e os jardins dão um astral super alegre pra cidade. E como não tinha que ser tudo pra ontem, fui descobrindo tudo aos poucos.

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E tem o Canal de Beagle, que é famoso. Não é à toa que Ushuaia recebe grandes, enormes veleiros vindos de todo o mundo. É um ponto estratégico e parada obrigatória pra quem veleja. Achei o máximo aqueles veleiros gigantes, alguns com dois lemes até, carregando bicicletas pra quando atracar nas cidades ao longo da viagem, descer e pedalar um pouco. É uma opção de vida que faz até meu coração bater mais forte. Pesca um peixinho e pedala um pouco enquanto o peixe seca ao sol… Imagina rodar o mundo assim? Eu imagino! Alguns são maiores do que muitos apartamentos no Brasil, no Japão então… Moraria fácil em um desses… ai ai…

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A cidade abriga um parque enorme chamado Parque Nacional Tierra del Fuego. Do centro partem ônibus diariamente pra esse parque, mas escolhi alugar uma bike pra ficar mais livre. Putz! Que delícia essa voltinha no parque. Muito verde e uma beleza intocada. Confesso que foram uns 40km pedalando nesse dia e eu nem tinha resistência pra tanto, mas ainda assim valeu muito a pena porque eu descobri uns cantinhos fora da rota lindos demais.

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A avenida central concentra vários cafés e restaurantes que te convidam pra pelo menos beliscar alguma coisa. Óbvio que eu, gulosa demais, fui parando em vários e comendo um negocinho aqui, outro ali… Se tem uma coisa que eles sabem fazer, é comer bem, aliás, cozinhar bem. Comi pratos deliciosos e nos intervalos sempre rolava um cafezinho ou um chocolate quente… hummm… só de lembrar minha boca enche d’água. Nem preciso dizer que o carro chefe são frutos do mar, preciso?

Bom… experimentar a culinária local é pré-requisito em uma viagem. Nesse caso, alugar um barco e navegar pelo Canal de Beagle é ainda mais imprescindível. Na orla tem várias opções de barcos, mas usei a minha sagacidade e escolhi o menor possível. Primeiro pra ter menos gente tagarelando, segundo que quanto menor, mais perto os barcos chegam das pedras e ilhas do canal. Anota essa dica! ;)

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Depois de ler tantos livros de aventura, o Canal de Beagle e o Farol Les Eclaireurs se tornaram grandes referências pessoais. Tenho uma fissura por faróis. É uma mescla entre mistério e fascínio. E essa voltinha pelo canal além de permitir que você chegue pertinho do farol, ainda para em várias ilhas pra contemplar a fauna marinha.

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Farol Les Eclaireurs

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Algumas ilhas são especialmente ocupadas por leões marinhos. Outras são compartilhadas com os Cormoranes Magalhânicos, Cormoranes Imperiais, Albatrozes e tantas outras espécies de aves marinhas. Eu poderia ficar ali dias e dias só admirando-os… Me senti totalmente uma personagem das fábulas do Julio Verne.

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Numa dessas ilhas descemos do barco pra explorar também a vegetação. A diversidade de plantas e flores é até grande, mas mais do que isso, é de uma beleza incrível.

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De volta à terra firme, a orla ainda reserva um passeio muito agradável. Ao longo do caminho encontrei um barco encalhado bem pertinho da margem, um porto lotado de navios de grande porte como do National Geografic abastecendo pra partir para expedições, cargueiros com containers, lojinhas de souvenirs pra quem gosta, restaurantes requintados…

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O meu tempo de viagem foi tão bem programado que todos os dias fui abençoada com um sol lindo e no último dia, como que dizendo adeus, o tempo fechou, baixou uma neblina sobre a cidade e choveu bastante. E nesse dia eu percebi que Ushuaia tem duas faces bem distintas. A versão verão é alegre, colorida, cheia de vida. A versão inverno é cinza e congelante. Não que não seja linda no frio, os programas é que mudam. Qualquer inverno desses volto lá… Fiquei sabendo pelos nativos que nesta estação rola até corrida de trenó com Huskies, esquibunda, esqui, snowboard e tal… Deve ser no mínimo muito divertido. É um outro lado da cidade que sem dúvida vale a pena conhecer.

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Vir pra Ushuaia foi literalmente realizar um sonho. Toda a jornada desde El Calafate foi riquíssima. Aprendi tanto, que não caberia aqui. Aquele sentimento de menina querendo melhorar o mundo não mudou. O que mudou foi a minha visão sobre mim mesma. Eu percebi que em situações extremas, e isso a gente só descobre vivendo, eu consigo ser mais forte do que eu imaginava. O nosso psicológico é posto à prova e se superar é o maior prêmio que eu poderia ter como recompensa. Foram tantas lições, tantas pessoas passando pelo caminho, tanta natureza, tanta história…

Ushuaia não foi meu ponto final, foi o meu ponto de partida no final das contas. E depois de tantas aventuras, me despeço querendo mais. A Antártica… logo ali… não saiu da minha cabeça desde então. Acho que a minha lista de lugares pra conhecer vai ser sempre infinita. Será que vai dar tempo nessa vida? rs… Não tenho resposta, mas enquanto eu viver, estarei pelo mundo…

Bons ventos a todos!!

Namastê!

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