Viajando sozinha? Sim! Porque não?

Reese Witherspoon viajando sozinha no filme “Livre”

Viajando sozinha? Sim! Porque não? É o que muitos perguntam com estranheza quando uma mulher decide fazer uma viagem solo. No Brasil, um país tão patriarcal, imaginar uma mulher viajando sozinha pelo mundo soa bastante desafiador. No auge da globalização, vemos tanta coisa evoluindo, a tecnologia está aí tomando conta de tudo, mas a mulher, mesmo sendo independente financeiramente, continua presa aos estigmas da nossa sociedade machista.

Sejamos honestos. Se fosse um homem de mochilão, rodando tudo, você não acharia o máximo? Tipo macho alfa top, que se banca em qualquer lugar? Todo mundo acha isso! Mas a mulher… ora… tão mais frágeis, tão vulneráveis… Pra que se expor por aí? Essa realidade me deprime, maaaas funciona assim. Se uma garota quiser viajar sozinha, vai ouvir essas coisas desagradáveis, pode acreditar.

Aliás, pensando com meus botões, acho que a Disney tem grande influência na  imagem da mulher, quando ao longo do tempo criou tantas princesas que viviam para encontrar um príncipe encantado e viver felizes para sempre. Isso acabou com a gente, meninas! Mas fico feliz em saber que aos poucos isso também está mudando. Tive a oportunidade de assistir o último filme lançado, “Moana, um mar de aventuras”. Essa personagem não é uma princesa. Ela é aventureira e sai pelo mar sozinha em busca da salvação do seu povo que habita uma ilha e que sofrem com a falta de peixes. O enredo todo do filme se baseia no amor familiar, e não no amor homem-mulher. Isso me surpreendeu. Uma mulher é sim capaz de salvar seu povo e não viver apenas para encontrar um grande amor, casar e ter filhos. Ponto pra Disney!

“Você nunca sabe o quanto você é forte até quando ser forte é a única opção que você tem.”

Pelas ruas de Lazise, Lago di Garda, norte da Itália

E a minha história de não princesa começou na Itália.

Com 21 anos eu fui pra Itália, minha primeira viagem sozinha e internacional. Queria muito fazer intercâmbio, mas não tinha grana. Descobri na internet um site de au pair que contrata pessoas do mundo todo para trabalhar em outros países. Na teoria funciona bem. Eu consegui garantir um emprego durante um ano como babá e um pouco faz de tudo dentro de casa. A família que me contratou pagou a minha passagem e parti logo em seguida.

Literalmente me joguei. Fui para o Lago di Garda, uma região linda no Norte da Itália. Tudo parecia maravilhoso até que logo na primeira semana eu e a família nos desentendemos. Perdi meu emprego e fui parar em Mantova, cidade onde morei por 2 meses com uma amiga e sua família. (essa história eu conto todinha nesse post aqui “Au pair na Itália“)

“Se perder longe de casa, pensar sobre os acontecimentos da vida, peregrinar e desapegar do passado. Tudo isso é preciso.”

Blyde River Canyon, a caminho do Kruger Park, África do Sul
Safari Kruger Park, África do Sul
Table Mountain
Selfie de cima da Table Mountain
Almoçando com os novos amigos em Cape Town, África do Sul

Com 26 anos, já com uma graninha que juntei trabalhando pra caramba, resolvi ir sozinha pra África do Sul. Nesse caso fui sozinha porque minhas amigas ou não tinham grana pra ir junto ou simplesmente não se interessavam pelo lugar. Mas porque escolher a África com tanto lugar menos perigoso no mundo? Isso foi o que me disseram. Fui ao médico pra me informar sobre a malária e possíveis vacinas que eu poderia tomar pra evitar passar mal lá. Tudo que ele fez foi ficar a consulta inteira tentando me convencer do quão insano seria eu viajar sozinha para um país como esse. Detalhe: ele NUNCA tinha ido pra África! Preciso dizer mais alguma coisa? (sobre a minha experiência de quase um mês na África do Sul, eu conto tudo aqui nesses posts “Cape Town“, “Rota dos Jardins e Jeffreys Bay” e “Johannesburg“)

Mochilão em Bangkok, Tailândia
Em Ubud, antiga capital de Bali, Indonésia

Com 29 anos, depois de tomar um pé na bunda e perder as estribeiras, decidi fugir da minha cidade no verão e conhecer dois paraísos,Tailândia e Indonésia. Pensa em uma pessoa desiludida, sem amor próprio, mendigando atenção, desgostosa da vida. A minha cidade é pequena e tudo que eu não queria era cruzar com o meu ex. Então escolhi um lugar quente, de praia, pra relaxar e esfriar a cabeça. De preferência um lugar com uma cultura tão exótica e diferente da minha, que não me deixasse lembrar do término de jeito nenhum.

E consegui! A viagem foi curta, durou apenas 15 dias pois eu estava trabalhando muito e não podia me ausentar por tanto tempo, mas foi tão incrível que, como se tivesse virado uma chavinha dentro de mim, tudo mudou na minha vida. Radicalmente! (Escrevi um pouco mais sobre essa aventura nesses posts aqui “Bangkok” e “Bali“.)

Agora vamos lá! Você tem medo de viajar sozinha, né!? Se sente insegura e cheia de incertezas. Acredite, isso é normal. Recebo muito, mas muitos e-mails mesmo, de mulheres que pedem ajuda e dicas para viajarem sozinhas. E não tem uma que não diga que não tem medo. Todas temos, amiga. Aham! Simples assim. O medo é pessoal e não adianta eu te dizer “não se sinta assim”, pois cada um vê o mundo de uma forma diferente. O que pra mim pode ser tranquilo, pra você pode não ser.

Então sendo prática, tente entender as causas do seu medo. Provavelmente ele é emocional, causado por todas as incógnitas que vem junto com o desconhecido mundo que te aguarda lá do outro lado. Não saber como vai ser quando chegarmos no nosso destino é o que mata a gente de ansiedade, angustia, tira o nosso sono e dá bastante frio na barriga. E é nesse ponto que eu quero chegar. Aqui começa a magia de viajar sozinha. Aprendemos, desde o momento que decidimos embarcar em uma aventura, a controlar nossos sentimentos. Uma das ótimas heranças que você irá ter na volta pra casa. Você vai aprender a cuidar e controlar tudo que sente, afinal, você estará lindamente sozinha.

Só de pensar em todo mundo te olhando todos os pelos do seu corpo se arrepiam? A sua mente molda o seu mundo! Quer uma prova? Passei exatamente por essa situação em Delhi, na Índia. No primeiro dia eu andei na rua tão assustada e com medo daquelas pessoas estranhas e aparentemente sujas, que tive a péssima impressão de que todos queriam me engolir. Provavelmente a minha expressão de espanto levou realmente as pessoas a me olharem, talvez com o mesmo espanto que eu os olhava. No dia seguinte, um pouco mais relaxada e levemente acostumada com o cenário, tudo mudou. De repente eu deixei de ser notada e não me senti mais ameaçada.

Será quem que mudou, eu ou eles? Esse é o medo emocional. Estava tudo dentro da minha cabeça. Quando eu passei a demonstrar mais confiança, toda a minha insegurança passou. E depois analisando friamente, realmente não tinha a menor ameaça. A Índia é infinitamente mais segura do que o Brasil. Verdade, sabia?

“Nunca tenha medo da opinião das pessoas. Essa é a maior escravidão do mundo.” Osho

Juliana, querida, onde você quer chegar? Quero dizer que medo a gente sempre vai ter. Língua estrangeira, comportamentos diferentes, timidez, religião diferente, cultura diferente, gastronomia exótica… Você pode ter mil motivos pra ter medo. Confie no seu instinto e rema capitão! Não deixe de viver uma aventura e mudar a sua vida por alimentar os monstros que vivem dentro da sua cabeça.

viajando sozinha? sim! porque não?

Eu não sou tão corajosa quanto pareço. Eu só não penso demais. Decido e vou. E pra isso, cada um tem o seu tempo. Cada um vai saber a hora de ter a própria experiência. De nada adianta eu te encorajar a se jogar em uma viagem se você não estiver pronto pra isso. Enquanto você não acreditar que é capaz de estar em qualquer lugar, indiferente do idioma, da cultura, da estação do ano ou do presidente eleito, de nada vai adiantar eu te dizer “vai que vai dar certo!”.

“Deus não nos deu asas, pois ele sabiamente decidiu que devemos conquista-las ao longo da vida. Escolhas focadas nos sonhos, coragem para continuar a desbravar o desconhecido, força para agir e deixar ir quando for necessário, aprender seguindo a frequência dos ares e manter o pensamento positivo. Acreditar é o principal sentimento para saber voar.”

viajando sozinha? sim! porque não?

Então vou presumir que se você está lendo até aqui (yeah!), você continua pensando em viajar sozinha. Então vou te dar algumas dicas especiais femininas pra te ajudar a se preparar pra alçar voo.

Você é tímida?

E qual o problema nisso? Tudo bem, comunicação vai ser necessário em algum momento. Mas se você não é do tipo que tem facilidade em sair sorrindo pra meio mundo de pessoas estranhas e esquisitas, que falam uma outra língua que você nem domina tanto assim, ok. A hora que você se sentir à vontade, vai se abrir e interagir com alguém. Você vai conversar naturalmente, no seu tempo. Pra que pressa? E porque sair falando com quem você não conhece se isso não é da sua natureza? Você tem que ser você mesma! Porém, quem sabe essa não seja uma boa oportunidade de fazer novas amizades, justamente porque vocês não tem relação nenhuma e são completamente desconhecidos? Pense nisso. Você não deve nada a ninguém! Viajar sozinha, não significa estar sozinha a viagem inteira, a não ser que você queira.

Postura

Postura não é sobre sentar ereto. É sobre como você vai se portar diante do outro, uma outra cultura que não é a sua. O respeito começa aqui. O respeito mútuo. Quem respeita a cultura alheia, é respeitado de volta. E isso significa o quê? Se vestir apropriadamente, não beber em excesso, não se expor desnecessariamente… Tudo isso vai te ajudar a se sentir segura. (nesse post “10 dicas de segurança para mulheres viajantes” tem muito mais sobre esse assunto)

Idioma

Você não manja tanto o inglês? Nem um pouquinho? Então é hora de pensar se estudar o básico antes de embarcar não seja uma boa ideia. Viajando sozinha você vai precisar! Imagine-se no aeroporto… Pra começar o cara da imigração resolveu te perguntar o motivo da sua viagem e você não consegue nem entender o que ele está falando. Se já ficamos nervosos normalmente, sem falar inglês então, eu entraria em pânico. Fluência não é fundamental, mas saber o mínimo é indispensável.

Vestimentas

Sendo mulher, recomendo que os decotes, roupas curtas e coladas, que possam insinuar qualquer coisa que não seja o seu desejo, não entrem na sua mala. A forma como as pessoas vão nos ver, vai depender da nossa postura e também da nossa roupa. A imagem pode dizer bastante sobre uma pessoa e caso você não queira ser mal interpretada, procure evitar roupas sensuais. Principalmente se você for viajar para o oriente ou países de cultura árabe.

“Que cada um seja uma lâmpada de si mesmo.” Buddha

Viajando sozinha eu me transformei em uma pessoa mais leve, mais confiante, mais forte. E não foi à toa. Sozinha eu aprendi a controlar meus sentimentos, minhas ansiedades e as minhas carências. Eu descobri que eu me basto. É maravilhoso ter os amigos por perto e estar cercada de pessoas queridas, mas elas são um plus na minha vida. A prioridade é estar bem comigo mesma, para depois estar bem com os outros. A gente só é capaz de deixar alguém feliz, se estivermos felizes primeiro.

E sabe aquele pé na bunda que me fez ir pra Tailândia sozinha? Esse cara hoje é meu marido e temos uma filha linda, a Luna. E vou te contar a verdade. Nós só nos entendemos (9 meses depois que voltei de viagem) e casamos, porque nós dois amadurecemos. Ele não assume, mas eu sei que a auto confiança e o amor próprio que recuperei durante essa viagem, fez com que ele me enxergasse diferente. Daquele momento em diante eu era capaz de tudo, até de viajar sozinha!

“Hoje eu me sinto pequena, mas muito grata por fazer parte desse enorme e maravilhoso mundo.”

Namastê

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